quarta-feira, 6 de abril de 2011

Texto final da Plenária de Democratiz​ação da Comunicaçã​o RJ

UMA NOVA ETAPA DA LUTA PELA DEMOCRATIZAÇÃO DA COMUNICAÇÃO

 

A) A conjuntura atual dos meios de comunicação no Brasil.

 

1. Nenhum dos aspectos estruturantes do setor das comunicações em nosso país sofreu mudança substancial nos últimos anos. As características principais permanecem as mesmas: alto índice de concentração dos meios (oligopólio), claro predomínio do setor privado comercial sobre os setores estatal e público, legislação excessivamente fragmentada, defasada e insuficiente para enfrentar uma conjuntura de novas tecnologias e convergência de mídias, inúmeras práticas de manipulação da informação, ausência do poder público em ações de regulação e fiscalização do setor, enorme resistência do setor empresarial privado para mudanças estruturais.

 

2. Devemos, portanto, estar atentos à qualificação da intervenção e organização dos grandes grupos empresariais da mídia no último período, através de suas entidades representativas, com destaque para a ABERT, ANJ, ANER e ABAP, entre outras, associados à direita política e social e a entidades internacionais como a SIP e a Opus Dei. Com a criação dos Instituto's Millenium e Palavra Aberta, patrocinaram, além do boicote e da tentativa de desqualificação da I Confecom, uma campanha aberta e truculenta contra o PNDH-3 e contra qualquer proposta de regulação da publicidade e de controle social da mídia. Nessa nova fase, além da tradicional pressão junto aos Poderes Públicos – Judiciário, Legislativo e Executivo – e à constante veiculação de artigos e matérias em seus órgãos de comunicação, têm buscado disputar suas concepções e ideias conservadoras na universidade, nas redes sociais e nos próprios movimentos sociais organizados. Este é mais um elemento que impõe a qualificação e a unidade do nosso movimento e da nossa intervenção.

 

3. Por outro lado, alguma luz começa a aparecer no horizonte. O Governo Federal, no segundo mandato do Presidente Lula, passou a pautar o tema das políticas públicas de comunicação dentro da agenda política nacional, dando importantes sinalizações de vontade política para iniciar as mudanças. A criação da EBC – Empresa Brasil de Comunicação, e a realização da I Conferência Nacional de Comunicação fizeram parte dessas sinalizações. A formulação de um PNBL – Plano Nacional de Banda Larga, dentro de uma política mais ampla de inclusão digital, e a formatação de uma minuta de um novo Marco Regulatório das Comunicações, heranças deixadas pelo Governo anterior, colocam importantes desafios para o novo Governo da Presidenta Dilma Roussef.

 

4. Não custa lembrar que a própria realização da I Conferência Nacional de Comunicação (I Confecom) foi produto de um amplo processo de mobilização do setor não empresarial da sociedade civil através de centenas de entidades organizando comissões estaduais em todas as Unidades da Federação, pressionando e negociando com poderes públicos e com empresários para que a I Confecom fosse realizada, o que terminou acontecendo em dezembro de 2009, apesar de muita resistência de alguns setores do empresariado, com algumas das principais entidades de classe boicotando e negando-se a participar do processo. Apesar dos inúmeros problemas enfrentados, e de algumas aparentes insuficiências (debate pouco aprofundado, inexistência de definição de prioridades, disputas muitas vezes despolitizadas), é impossível não reconhecer que o resultado final da I Confecom ficou acima das expectativas, aprovando mais de 600 propostas de políticas públicas para o setor, o que certamente consistiu num importante marco histórico, numa importante vitória de movimento das entidades que há décadas lutam pela democratização em nosso país. Como diz recente documento do Intervozes, '...A Confecom ampliou o campo do movimento de comunicação, e trouxe para a discussão setores que até então acompanhavam-na de forma distante...'. Embora essa mobilização tenha diminuído no ano de 2010, muito em função das energias consumidas no recente processo eleitoral, a realização da I Confecom e seu resultado marca uma nova etapa de construção dessa luta, deixando condições extremamente positivas para a sua retomada nos próximos anos.

 

5. Ao indicar um quadro como Paulo Bernardo para o Ministério das Comunicações, o novo Governo Federal dá indícios de que o MiniCom será fortalecido como instância de formulação e implementação de políticas públicas para o setor, ao invés de servir como moeda de barganha na composição política das forças que compõem o Governo Federal, o que certamente é um aspecto positivo nesta nova conjuntura que se abre. Sabemos que isto não basta, pois será necessário dotar o MiniCom de recursos humanos, técnicos e orçamentários para que ele possa vir a cumprir bem a sua missão institucional. Ao longo dos próximos 4 anos, as entidades envolvidas na luta pela democratização da comunicação, principalmente aquelas que representam o setor não empresarial da sociedade civil, precisarão construir os canais de pressão política e de interlocução com o MiniCom (e demais poderes públicos), para poderem contribuir na construção dessas políticas públicas.

 

6. Outro aspecto positivo na atual conjuntura é a prioridade que a nova gestão do MiniCom parece querer dar à implementação do PNBL – Plano Nacional de Banda Larga. Para que o PNBL alcance seus objetivos, e contribua decisivamente para uma política ampla de inclusão digital, será fundamental negociar com o setor empresarial das telecomunicações, mas também atender amplamente os pleitos do setor da sociedade civil não empresarial, para que se possa garantir a universalização deste serviço, que deve ser prestado em regime público, e garantir gestão participativa sobre o programa, permitindo o controle social sobre uma internet pública/privada.. Iniciativas como a de criar mecanismos que permitam o acesso ao financiamento do BNDES para os pequenos provedores, anunciada pelo novo Ministro do MiniCom, são bem vindas. A sinalização de que outras negociações deverão envolver todos os setores interessados, é outro bom sinal. O desejo manifestado pelo novo Ministro, de criar as condições para iniciar a implantação do PNBL a partir de maio, mostra que há vontade política. A decisão de dar à Telebrás um papel de destaque na condução do PNBL é outra sinalização importante. Mas, nunca é demais lembrar: quanto mais amplo, profundo e transparente for este processo de negociações, mais a sociedade brasileira sairá ganhando. Além disso, é imprescindível que o Governo garanta que as diretrizes desenhadas no Fórum Brasil Conectado e no decreto do PNBL venham a ser seguidas `risca ou debatidas amplamente com as partes, para se achar o devido consenso, para o bem estar da sociedade.

 

7. Mais um aspecto positivo na conjuntura que se abre é a manifestação do novo Ministro em dar continuidade ao processo de construção e definição do novo Marco Regulatório das Comunicações, levando adiante a iniciativa iniciada na gestão anterior da SECOM (Ministro Franklin Martins), que produziu uma minuta de projeto com este teor. O conteúdo desta proposta ainda é desconhecido da ampla maioria da sociedade. Aqui e ali, a mídia impressa e virtual começa a divulgar alguns tópicos deste conteúdo. O próprio Ministro, Paulo Bernardo, já deu declarações sobre o tema, manifestando-se contrário à propriedade cruzada dos meios de comunicação e favorável a existência de uma agência reguladora do setor, dois pontos que nos parecem positivos. Mas, nos parece urgente que o projeto em questão seja o mais brevemente possível divulgado, para que se possa garantir um amplo processo de debate na sociedade (audiências públicas, seminários, consulta pública), dando prosseguimento ao debate que se iniciou ao longo da construção da I Confecom. Entendemos que um projeto desta magnitude não pode ser enviado ao Congresso Nacional sem antes ser amplamente conhecido e debatido pela sociedade.

 

8. Outra iniciativa que nos parece importante, desde o final do ano passado, tem sido a apresentação de Projetos de Lei no âmbito das Assembleias Legislativas Estaduais, para a constituição de Conselhos Estaduais de Comunicação. Isso tem acontecido em vários Estados, simultaneamente, como CE, BA, SP, e RJ. No caso do Rio de Janeiro, a iniciativa foi do Deputado Estadual Paulo Ramos (PDT-RJ), e já produziu uma importante audiência pública com participação de inúmeras entidades da sociedade civil, dando o pontapé inicial a um amplo processo de discussão sobre o seu conteúdo e a estratégia mais eficiente para a sua implementação. Iniciativas como esta permitem ao nosso movimento recolocar na agenda política nacional a proposta de constituição dos Conselhos Municipais de Comunicação, e de um Conselho Nacional de Comunicação, com caráter deliberativo e mais representativo do que foi a experiência do Conselho de Comunicação Social (como mero órgão consultivo do Senado Federal), tal como foi aprovada no âmbito das resoluções da I Confecom.

 

9. Outro aspecto positivo da atual conjuntura é a possibilidade de avançar no fortalecimento da comunicação comunitária. A sinalização de que o MiniCom passará a contar em sua estrutura com uma Secretaria Nacional de Radiodifusão Comunitária é apenas um primeiro passo inicial. Mas, certamente ainda há um longo caminho a percorrer. As resoluções da I Confecom apontam inúmeras iniciativas importantes para a construção de uma política pública consistente neste setor, como a descriminalização das práticas de comunicação comunitária, a agilização dos processos burocráticos de legalização no âmbito do MiniCom, a necessidade de encontrar mecanismos de fomento à produção de rádios e tv's comunitárias são apenas alguns exemplos. Ainda no campo da comunicação comunitária é importante que, com a nova secretaria de Inclusão Digital, novos modelos de provedores comunitários sejam aceitos perante a legislação vigente, permitindo que a banda larga também possa ser usada para fins exclusivamente sociais em caráter comunitário.

 

10. O mesmo se pode dizer no tocante a outros temas debatidos ao longo da I Confecom, que também geraram inúmeras propostas aprovadas, cuja implementação gerarão expectativas nos próximos anos. Para citar um exemplo, o fortalecimento da chamada comunicação pública (TV's e rádios públicas), que ganhou um grande alento em nosso país com a criação da EBC, mas que carece ainda de uma maior consolidação e aperfeiçoamento, com políticas de fomento mais agressivas e construção de ferramentas de controle público mais eficazes (conselhos, audiências, consultas, pesquisas, ouvidorias). Outro exemplo a ser citado, a necessidade de uma maior regulação da publicidade voltada para crianças e adolescentes. Ou a consolidação de uma política de democratização da Internet em nosso país. Ou a implementação de políticas públicas que garantam a diversidade cultural e étnica de nosso povo, lembrando que 2011 é considerado pela ONU como Ano Internacional dos Afro-descendentes.

 

11. Quantos às políticas públicas na área de Cultura, do novo Governo Federal, é sempre bom lembrar que Cultura e Comunicação sempre andaram juntas, pois os meios de comunicação são ferramentas fundamentais na divulgação e construção da identidade cultural de nosso povo. Portanto, pretendemos acompanhar e contribuir para a formulação e implementação dessas políticas públicas, garantindo a continuidade e os avanços conquistados nos últimos 8 anos, sempre a partir de uma construção compartilhada, com ampla participação da sociedade, reconhecendo o acúmulo obtido em temas e projetos importantes, como o fortalecimentos dos Pontos de Cultura, a necessária revisão da atual Lei de Direitos Autorais, o apoio à produção independente e à comunicação pública e comunitária. È fundamental que a nova gestão do Ministério da Cultura mantenha e fortaleça os canais de diálogo e debate, democrático e transparente, com todos os setores sociais, como forma de garantir que não hajam retrocessos.

 

B) Plano de ação e prioridades.

 

12. Ao longo dos últimos 25 anos o movimento foi acumulando discussões, experiências e um conjunto de propostas que nos permitiu avançar em várias frentes de luta, que não são excludentes, mas se complementam. A própria I Confecom conseguiu gerar um conjunto de 600 propostas que servem de norte para o nosso movimento. Mas, como sabemos bem, ter um excesso de propostas, sem definir nenhuma prioridade ou foco de ação entre elas, poderá significar não ter nenhuma proposta capaz de fazer o nosso movimento avançar e conquistar vitórias. Portanto, o que estamos propondo aqui é apenas um exercício de buscar estabelecer nossas ações prioritárias dentro de um conjunto muito amplo de propostas e lutas, resgatando e atualizando as resoluções do Seminário Rio pós Conferência, realizado na ECO-UFRJ em 27 de março de 2010. Sem foco e sem prioridades, não conseguiremos chegar a lugar nenhum. A análise de conjuntura que apresentamos acima já nos sinaliza para o que devem ser algumas destas prioridades em nosso possível plano de ação.

 

13. Plano Nacional de Banda Larga: Lutamos pela implantação do PNBL, com a universalização deste serviço, a ser prestado em regime público, com papel de destaque para a Telebrás na gestão desta política pública, com mecanismos de acesso ao financiamento do BNDES para os pequenos provedores, garantindo redução de custos e universalização da oferta, e amplo processo de consulta e negociação envolvendo todos os segmentos sociais, democratizando e tornando transparente o funcionamento do 'Fórum Brasil Conectado', entendendo que o acesso à banda larga é um direito fundamental a ser garantido pelo Estado, e que tem por obrigação criar mecanismos de alteração das legislações internas para que a banda larga posse ser prestada de outras maneiras que não sejam somente por empresas privadas ou estatais, pois democratiza o acesso à informação e ao conhecimento.

 

14. Marco Regulatório das Comunicações: Lutamos pela urgente publicização do texto-projeto elaborado pela equipe da gestão anterior da SECOM, para que se possa dar início a um amplo processo de debate na sociedade brasileira, com seminários, audiências públicas e consulta pública, permitindo agregar valor ao projeto inicial e construir grandes consensos ou propostas claramente hegemônicas. No âmbito desse novo Marco Regulatório das Comunicações, a regulamentação dos artigos 220 a 224 da Constituição Federal nos parece fundamental, assim como a criação de uma Agência Reguladora para o setor.

 

15. Conselhos de Comunicação: Lutamos pela construção e implementação de um Conselho de Comunicação Estadual no RJ, a partir de um processo de discussão que permita aperfeiçoar o conteúdo do projeto 3323/2010 do Deputado Paulo Ramos (PDT-RJ), entendendo que isto implicará numa estratégia de negociação junto aos poderes públicos (Legislativo e Executivo), para que nosso objetivo seja alcançado e o Conselho Estadual seja implementado, assim como deverá acontecer em outros Estados, sempre ressaltando a importância da participação dos movimentos sociais nesses Conselhos. Também está entre as nossas prioridades o apoio, assessoria e incentivo, que passa pela reorganização das Regionais do nosso movimento, à criação de Conselhos Municipais de Comunicação, que, além da importância local para a democratização da comunicação, poderão cumprir importante papel de referências políticas para a nossa luta em nível estadual. Paralelamente, a mobilização em torno desse processo nos permitirá retomar a luta pela construção de um Conselho Nacional de Comunicação, com caráter deliberativo, nos moldes da proposta aprovada na I Confecom.

 

16. Comunicação comunitária: Lutamos pela reafirmação legal dos meios comunitários dentro do novo marco regulatório, desvinculando-os de qualquer limitação territorial, sem restrição a tipologia das emissoras comunitárias para seu funcionamento, como limites de potência, frequência ou alcance. O novo marco regulatório deve reconhecer o princípio da complementariedade dos sistemas de radiodifusão (privado, público e estatal), previsto no art, 223 da Constituição Federal de 1988 e reservar 1/3 do espectro eletromagnético para a comunicação social sem fins lucrativos, onde se incluem os meios comunitários. Lutamos também pela criação de uma Secretaria Nacional de Radiodifusão Comunitária no âmbito do MiniCom, que permitirá a agilização do processo burocrático de legalização das rádios comunitárias, pela a imediata descriminalização (e conseqüente anistia) às lideranças que trabalham com radiodifusão comunitária, com o término imediato das perseguições, prisões de lideranças e apreensão de equipamentos, assim como pelo o acesso das tv's comunitárias e demais tv do campo público a canais abertos, e a construção de uma política de fomento para a radiodifusão comunitária, e pelo fortalecimento das formas associativas desse movimento, passos necessários para garantir a democratização da comunicação em nosso país. Outra causa a ser debatida é a permissão para que entidades sem fins lucrativos, universidades e afins, possam prestar os serviços de provimento da internet com finalidades sociais não lucrativas (provedores comunitários), agilizando os processos internos na ANTEL referente às mudanças de regras para obter outorga na agência, onde se encontram em fase para consulta pública.

 

17. Comunicação pública: Lutamos pela consolidação e fortalecimento da EBC – Empresa Brasil de Comunicação, e seu papel de 'espinha dorsal' na construção das redes públicas de tv e de rádio, assim como das emissoras universitárias, estaduais e municipais, com o fortalecimento de ferramentas de gestão de controle público (conselhos, audiências, consultas, pesquisas, ouvidorias), com políticas de fomento que permitam o fortalecimento e a ampliação da comunicação pública em nosso país, bem como o fortalecimento das associações deste setor.

 

18. Democratização da Internet no Brasil: Lutamos pelo fortalecimento e consolidação do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), e pela aplicação da 'Plataforma por uma Internet Livre, Inclusiva e Democrática', e pela construção de um Marco Civil da Internet no Brasil, cujo anteprojeto encontra-se em elaboração de sua nova versão no Ministério da Justiça, após ter agregado contribuições de amplos setores da sociedade (2009/2010), via consulta pública, devendo iniciar sua tramitação no Congresso Nacional em junho deste ano. Reforçamos ainda o combate a projetos que vão contra os anseios populares e à liberdade na internet, bem como projetos que ataquem deliberadamente a soberania nacional, como o PL 1481/07 (lei do FUST) e o PL 84/99 (AI-5 Digital).

 

19. Regulação da publicidade responsável: É importante garantir regras de controle social na publicidade, baseadas no interesse público. Além da restrição à publicidade voltada ao público infanto-juvenil, com o objetivo de defender este segmento do apelo ao consumo exacerbados a que são submetidos cotidianamente, formando e deformando a personalidade das futuras gerações, defendemos a regulamentação da publicidade de alimentos, álcool e medicamentos, entre outros produtos.

 

20. Defesa da cultura nacional e regional: Lutamos por políticas públicas de defesa, fortalecimento e fomento da cultura nacional, inclusive em sua diversidade regional, local e étnica, e de uma legislação que regulamente a regionalização da produção cultural e jornalística nos meios de comunicação.

 

21. Defesa da diversidade cultural, étnica, e de gênero de nosso povo: No ano de 2011, considerado pela ONU como Ano Internacional dos Afro-descendentes, lutamos pela aplicação de políticas públicas afirmativas nos meios de comunicação que garantam a diversidade cultural, étnica e de gênero de nosso povo, e combatam todas as formas de preconceito e discriminação.

 

C) Questões Organizativas.

 

22. Ao longo dos últimos 25 anos a luta pela democratização da comunicação em nosso país passou por diferentes etapas políticas e momentos distintos de organização. Desde o Movimento por Políticas Democráticas de Comunicação, no período pré Constituinte de 1988, passando pela constituição do FNDC – Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e seus diversos comitês estaduais, até a mais recente experiência da Comissão Nacional Pró Confecom e suas inúmeras comissões estaduais e municipais. Com altos e baixos, idas e vindas, com maior e menor capilaridade e representatividade, o movimento tem procurado avançar na sua capacidade de responder aos desafios que são colocados a cada conjuntura.

 

23. Como podemos ver, a atual conjuntura do setor das comunicações em nosso país apresenta inúmeros aspectos extremamente positivos, e aponta a possibilidade de avanços na formulação e implementação de políticas públicas em várias áreas. Mas, para isso, é fundamental que o nosso movimento dê um salto de qualidade em sua capacidade de formulação e articulação política, credenciando-se como interlocutor ao longo deste processo que se inicia. Hoje, mais do que nunca, precisamos superar as insuficiências do nosso movimento, e criar as condições para um processo que garanta a nossa unidade na ação concreta.

 

24. Durante todo o processo de construção da I Confecom, em que pese o importante papel que jogaram várias entidades nacionais e estaduais na organização e mobilização que terminaram por garantir a realização da I Confecom, demonstramos inúmeras fragilidades e insuficiências ao longo do caminho. Divergências pontuais em torno de formas de condução do movimento ou de aspectos de negociações, disputas muitas vezes despolitizadas por espaço político e pelo protagonismo, enormes dificuldades de comunicação interna no movimento, insuficiência de formulação e elaboração política de forma coletiva, foram criando, aqui e ali, arestas e problemas, que terminaram por nos enfraquecer já no período de construção da I Confecom, e terminaram por levar a uma nova desarticulação e esvaziamento do nosso movimento, no período pós I Confecom, tanto a nível nacional quanto a nível estadual, por razões combinadas de forma distintas. Mesmo assim, a Comissão Rio Pro Conferência realizou um seminário de avaliação da I Confecom, em maio de 2010, e manteve as reuniões mensais, que não mais reuniam o número de entidades e militantes do período pré-confecom. E, produziu uma plataforma da comunicação democrática, lançada em evento com candidatos ao parlamento, além de um ato em defesa do PNDH3.

 

25. Precisamos dar passos concretos no sentido de reorganizar o nosso movimento, tanto a nível nacional quanto a nível estadual/local, em novas bases, superando as fragilidades anteriores. Para tanto, apontamos alguns princípios que entendemos essenciais para o sucesso de nossa empreitada:

 

26. A unidade organizativa do nosso movimento: Nossa luta conta com o apoio de diversas entidades que são diferentes entre si, e que guardam suas especificidades. São institutos, ong's, movimentos sociais, partidos políticos, sindicatos, centrais sindicais, entidades da sociedade civil. É muito importante que nosso movimento consiga respeitar e conviver com essa diversidade, pois é ela que garante a riqueza do movimento. Mas, precisamos garantir um mínimo de unidade organizativa, para dar consistência, representatividade e credibilidade ao mesmo. Isso significa evitarmos ter várias formas de organização co-existindo ao mesmo tempo, de forma dispersa, e sem unidade na ação. Num primeiro momento, o nome que podemos ou queremos dar ao nosso movimento é menos importante (comitê, comissão, fórum, movimento, frente), o importante é que ele seja amplo, não exclua ninguém, saiba conviver com as diferenças, evitando o divisionismo. No Rio de Janeiro, durante o processo de construção da I Confecom (2008/2009) chegamos a ter 2 fóruns/comissões distintas do nosso movimento, o que nos fragilizou durante as negociações com os poderes públicos e com os empresários do setor. Isto é tudo o que devemos evitar, daqui pra frente.

 

27. A nível nacional, chega a nós a notícia de que 7 importantes entidades nacionais (Intervozes, Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, ANDI – Agência de Notícias dos Direitos da Infância, MNDH – Movimento Nacional de Direitos Humanos, FITTEL – Federação Interestadual dos Trabalhadores em Telecomunicações, Ciranda Internacional de Comunicação Compartilhada e Projeto Revista Viração) recém formalizaram o pedido de ingresso no FNDC – Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação. Sabemos que a unidade não se dará de forma mecânica e imediata, necessitará um processo de amadurecido de diálogo, tanto a nível nacional como estadual, mas esse passo nos parece fundamental para a sua construção.

 

28. Igualmente, aqui no Rio de Janeiro (RJ) necessitamos avançar na unificação de nossa organização, buscando aparar as arestas criadas ao longo do período anterior, e recolocando a política no posto de comando. Nosso movimento deve buscar somar, agregar, ao invés de dividir e excluir. Já temos pouco tempo e energia para dedicar a tantas tarefas necessárias do movimento, não podemos nos dar ao luxo de nos dividir em formas distintas de organização, em reuniões paralelas e esvaziadas. Precisamos somar esforços e energias, para dar consistência e credibilidade ao nosso movimento. Vamos lutar para construir uma única forma organizativa do nosso movimento a nível estadual e regional, pouco importa o nome que venhamos a dar a esta organização. Podemos trabalhar com reuniões plenárias presenciais mensais, com GT's responsáveis por determinadas atividades e tarefas, podemos e devemos utilizar mais e melhor as ferramentas virtuais ( como forma de ir socializando propostas e formulações, e garantir uma melhor organização de nossas reuniões plenárias presenciais), podemos organizar seminários, oficinas e debates regionais e estaduais, em torno dos principais temas do nosso movimento, podemos amadurecer se é salutar ou não virmos a ter uma pequena coordenação que assuma algumas tarefas de organização entre uma e outra reunião plenária presencial, enfim, estas e outras idéias precisam ser discutidas e amadurecidas entre nós.

 

29. A unidade política do nosso movimento: A experiência da I Confecom nos demonstrou que as eventuais divergências de conteúdo programático que possam existir em nosso movimento, tanto a nível nacional quanto estadual, são mínimas se comparadas as divergências que temos diante de nossos principais adversários (os barões/empresários da mídia), e a necessidade que temos de construir nossa unidade para poder enfrentá-los. Devemos, portanto, construir a nossa unidade programática e de ação política, buscando acordar grandes consensos, sem desconhecer que, aqui e ali, continuarão existindo pequenas divergências entre nós (elas são saudáveis, fazem parte de qualquer movimento), sabendo que a independência e autonomia de nossas entidades será respeitada, o que significa que cada entidade continuará a defender suas bandeiras, mesmo quando elas não sejam consensuais, mas que priorizaremos a nossa luta unitária e consensual enquanto movimento. Nossa unidade política não pode e não deve significar uma camisa de força que impeça cada entidade de defender a sua autonomia e identidade.

 

30. Temos como referência as mais de 600 resoluções e propostas aprovadas na I Confecom. A tentativa de apresentar um plano de ação parte da ideia de que precisamos elencar nossas prioridades. Podemos melhorar ou aperfeiçoar nosso plano de ação, mas precisamos rapidamente chegar a um consenso sobre ele, pois será este plano de ação que norteará nossas estratégias de luta no próximo período. A construção deste consenso será a base sobre a qual se construirá a nossa unidade real.

 

31. Equilibrar formulação política com negociação institucional e ativismo: Entendemos que, a partir de agora, o processo político entra numa nova fase, com a discussão concreta do novo Marco Regulatório das Comunicações. O fortalecimento político do MiniCom, a enorme quantidade de problemas político-jurídicos a exigir soluções inadiáveis, a própria existência de um ante-projeto sobre o Marco Regulatório (embora ainda não divulgado), deverão pautar o debate ao longo deste ano e, talvez, nos próximos. O nosso movimento precisará estar política e tecnicamente preparado para intervir neste debate. Já não se tratará de defesa de meros princípios e teses, mas da objetivação desses princípios e teses em formal legal e jurídica, com embasamento econômico, político e técnico. Para isto, será necessário aprofundar o nosso conhecimento para além dos enunciados adjetivos e termos quadros qualificados e preparados para o debate propositivo. Uma proposta que ganha corpo entre nós é a de organizarmos seminários sobre os principais temas do nosso movimento, como forma de aprofundarmos nossa capacidade de formulação e nos qualificarmos como interlocutores e negociadores, junto aos poderes públicos e aos setores empresariais.

32. Ao mesmo tempo, nada avançará, apesar dos atuais vislumbres favoráveis da conjuntura, sem muita mobilização social e ativismo. A I Confecom marcou, pela quantidade e capilaridade dos atores sociais envolvidos, um salto de qualidade na mobilização política pela democratização da comunicação. Movimentos, organizações, entidades e militantes que foram agregados a esta luta, inclusive no interior do Estado, ampliaram muito a capacidade de apropriação social do tema, para muito além das categorias profissionais ou acadêmicas diretamente envolvidas com a comunicação, até então quase únicas a sustentar as bandeiras da democratização da comunicação em nossa sociedade. A democratização da comunicação interessa a todos e todas, é um debate que envolve a própria politização democrática da sociedade brasileira. O avanço obtido na I Confecom precisa ser consolidado e ampliado. Os movimentos, militantes e 'regionais' que se mobilizaram no processo de construção da I Confecom precisam ser reconvocados, rearticulados, reorganizados, nesta nova etapa da luta, para a discussão do Marco Regulatório, na discussão e construção dos Conselhos, na universalização da banda larga, no fortalecimento da comunicação comunitária e da comunicação pública, na democratização da Internet, na proteção e fomento da cultura nacional e regional, e demais questões do nosso movimento. Encontrar o equilíbrio entre o ativismo, de um lado, e a necessária reflexão e capacidade de formulação, de outro, conjugando isso com as iniciativas de articulação política no âmbito institucional, aí reside a possibilidade de vitória do nosso movimento. 

 

Rio de Janeiro, 21 de março de 2011

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Frente pelo direito à comunicação sai do papel .

Redação - Convergência Digital

01.04.2011 Juliana Sada - Escrevinhador

Desde o início de março um grupo de parlamentares se articula para debater mudanças na legislação das comunicações do Brasil e a construção de um novo marco regulatório para a área. A Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação está finalizando a fase de coleta de assinaturas no Congresso para sua instauração e será lançada no dia 19 de abril, em um ato público que pretende reunir militantes e movimentos da área, assim como apoiadores da causa.

Para dar impulso aos trabalhos da Frente, alguns deputados do grupo participarão de um debate em São Paulo, nesta sexta-feira (01). O tema em discussão será o papel da mídia na atualidade e também o novo marco regulatório das comunicações. Para os parlamentares é fundamental envolver a sociedade civil no debate e na luta por mudanças positivas no marco regulatório, já que a Frente enfrentará muitos obstáculos e opositores em seus trabalhos.  Estão confirmados os deputados Emiliano José (PT/BA), Luiza Erundina (PSB/SP), Brizola Neto (PDT/RJ), Jandira Feghali (PCdoB/RJ) e Ivan Valente (PSOL).

Após o debate, ocorrerá o lançamento do livro "Jornalismo de campanha e a Constituição de 88", de autoria do deputado Emiliano José, professor licenciado da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia. A obra é baseada em sua tese de doutorado, onde o pesquisador analisou o papel da imprensa em desconstruir a Constituição de 88 e apoiar a implementação de um projeto neoliberal.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Entidades da sociedade civil defendem liberdade de expressão dos atores sociais nos meios de comunicação .

09/11/2010 |

Redação Conselho Federal de Psicologia

 
O Conselho Federal de Psicologia, em conjunto com os Conselhos Regionais de Psicologia e 38 entidades da sociedade civil, na ocasião do Seminário Internacional das Comunicações Eletrônicas e Convergência de Mídias, realizado pelo Governo Federal nos dias 9 e 10 de novembro, em Brasília, assina manifesto em defesa da liberdade de expressão dos atores sociais nos meios de comunicação.

 

CARTA AO EXCELENTÍSSIMO MINISTRO CHEFE DA SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, SR. FRANKLIN MARTINS:

 

Excelentíssimo Senhor Ministro Franklin Martins e Prezados participantes do Seminário Internacional das Comunicações Eletrônicas e Convergência de Mídias,

 

As entidades e movimentos abaixo relacionados fazem questão de se manifestar no momento de início deste seminário. Acreditamos que a simples realização deste debate consiste em avanço no processo de fortalecimento da democracia no Brasil.

 

Somos uma parte significativa da mesma sociedade a quem os meios de comunicação recorrem quando são censurados pelo Estado. Isso aconteceu ao longo da ditadura militar, iniciada em 1964. Isso acontecerá sempre que a liberdade de imprensa seja ameaçada.

 

De algum modo, nós, como sociedade civil, somos os principais guardiões da liberdade de imprensa. Essa defesa foi sempre assumida por nós, inclusive do ponto de vista da defesa dos Direitos Humanos. Logo, não faria sentido que as nossas iniciativas no intuito de participar de um amplo processo de acompanhamento do comportamento dos meios fossem consideradas como ameaça a quem quer que seja.

 

Entendemos, entretanto, que seja preciso sempre buscar formas de conjugar liberdade de imprensa com liberdade de expressão. Percebe-se que nem sempre os meios de comunicação, no exercício da liberdade de imprensa, garantem a liberdade de expressão dos demais atores sociais. Nesse caso, a liberdade de expressão, conforme prevista na Constituição Brasileira, sofre inaceitável restrição por parte dos proprietários ou responsáveis de meios de comunicação, sejam eles públicos ou privados.

 

De fato, durante a ditadura militar alguns meios chegaram a ser percebidos como adversários dos interesses da população brasileira, exatamente porque não expressavam as diferentes visões que existiam no seio da sociedade naquele momento. Nos dias atuais, será preciso que a pluralidade de visões presentes no cotidiano brasileiro possam encontrar espaços de expressão.

 

A participação da sociedade no acompanhamento do comportamento dos meios de comunicação não implicará em intervenção sobre o fazer dos profissionais da comunicação. Do mesmo modo que, em outros objetos de políticas públicas, o controle da sociedade sobre os processos não interfere sobre as decisões dos profissionais. Tal é o caso, por exemplo, dos serviços de saúde, onde não cabe ao controle social a decisão sobre diagnósticos ou procedimentos dos profissionais envolvidos.

 

Nesse contexto, entendemos que as experiências em curso de criação de Conselhos Estaduais de Comunicação Social no Ceará, na Bahia, em Alagoas, no Piauí, em Minas Gerais, em São Paulo e no Rio de Janeiro, seja uma oportunidade ímpar para exame de formas alternativas de participação da sociedade na gestão de políticas públicas de comunicação. Entendemos que o comportamento de todos os atores sociais deva ser o de acompanhar atentamente essas experiências, fazendo as críticas cabíveis e aproveitando dali todo resultado que possa fortalecer a democracia no Brasil.

 

Estaremos atentos aos desdobramentos deste Seminário e dispostos a colaborar com iniciativas que visem o fortalecimento não somente da liberdade de imprensa, mas também da liberdade de expressão da sociedade brasileira.

 

Brasília, 9 de novembro de 2010

 

CFP - CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA

 

ABEP - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENSINO DE PSICOLOGIA

 

ABPSA - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSICOLOGIA DA SAÚDE

 

ABRAP - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSICOTERAPIA

 

ABRAPESP - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSICOLOGIA DO ESPORTE

 

ABRANEP - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NEUROPSICOLOGIA

 

ABRAPEE - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSICOLOGIA ESCOLAR E EDUCACIONAL

 

ABPRAPSO - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSICOLOGIA SOCIAL

 

ANPEPP - ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA

 

FENAPSI - FEDERAÇÃO NACIONAL DOS PSICÓLOGOS

 

IBAP - INSTITUTO BRASILEIRO DE AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA

 

SBPH - SOCIEDADE DE PSICOLOGIA HOSPITALAR

 

SBPOT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL E DO TRABALHO

 

SOBRAPA - SOCIEDADE BRASILEIRA DE PSICOLOGIA E ACUPUNTURA

 

INSTITUTO SILVIA LANE

 

CRP-01 - CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA DA 1ª REGIÃO

 

CRP-02 - CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA DA 2ª REGIÃO

 

CRP-03 - CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA DA 3ª REGIÃO

 

CRP-04 - CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA DA 4ª REGIÃO

 

CRP-05 - CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA DA 5ª REGIÃO

 

CRP-06 - CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA DA 6ª REGIÃO

 

CRP-07 - CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA DA 7ª REGIÃO

 

CRP-08 - CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA DA 8ª REGIÃO

 

CRP-09 – CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA DA 9ª REGIÃO

 

CRP-10 - CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA DA 10ª REGIÃO

 

CRP-12 - CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA DA 12ª REGIÃO

 

CRP-13 - CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA DA 13ª REGIÃO

 

CRP-14 - CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA DA 14ª REGIÃO

 

CRP-15 - CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA DA 15ª REGIÃO

 

CRP-16 - CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA DA 16ª REGIÃO

 

CRP-17 – CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA DA 17ª REGIÃO

 

CRP-18 - CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA DA 18ª REGIÃO

 

FITERT – FEDERAÇÃO INTERESTADUAL DOS TRABALHADORES EM RADIODIFUSÃO E TELEVISÃO

 

ANEAT

 

FNDC - FÓRUM NACIONAL PELA DEMOCRATIZAÇÃO DAS COMUNICAÇÕES

 

FÓRUM DE COMUNICAÇÃO DEMOCRÁTICA DO SUL FLUMINENSE

 

ARPUB – ASSOCIAÇÃO DAS RÁDIOS PÚBLICAS DO BRASIL

 

FRENAVETEC - FRENTE NACIONAL PELA VALORIZAÇÃO DAS TVS NOS CAMPOS PÚBLICOS

 

SINDICATO DOS RADIALISTAS DO MATO GROSSO DO SUL

 

SINDICATO DOS JORNALISTAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

 

SINDIJORNAL - SINDICATO DOS JORNALISTAS PROFISSIONAIS DO ESTADO DE ALAGOAS

 

SINDICATO DOS JORNALISTAS PROFISSIONAIS DO RIO GRANDE DO SUL

 

SINDICATO DOS JORNALISTAS PROFISSIONAIS DO AMAZONAS

 

FENAJ - FEDERAÇÃO NACIONAL DOS JORNALISTAS

 

ABTU - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE TELEVISÃO UNIVERSITÁRIA

 

MST - MOVIMENTO DOS TRABALHADORES SEM TERRA

 

CFEMEA - CENTRO FEMINISTA DE ESTUDOS E ASSESSORIA

 

ABRAÇO NACIONAL – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE RADIODIFUSÃO COMUNITÁRIA

 

CENTRO DANDARA DE PROMOTORAS LEGAIS POPULARES

 

SOMOS – COMUNICAÇÃO, SAÚDE E SEXUALIDADE

 

CUT – CENTRAL ÚNICA DOS TRABALHADORES

 

CTB – CENTRAL DOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS DO BRASIL

JUSTIÇA GLOBAL

 

ABGLT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE LÉSBICAS, GAYS, BISSEXUAIS, TRAVESTIS E TRANSEXUAIS

 

CÁRITAS BRASILEIRA

 

IBASE – INSTITUTO BRASILEIRO DE ANÁLISES SOCIAIS E ECONÔMICAS

 

REDE SOCIAL DE JUSTIÇA E DIREITOS HUMANOS
 
- Maninho, Abraço RJ

terça-feira, 28 de setembro de 2010

As reais ameaças à liberdade de expressão no Brasil .

As reais ameaças à liberdade de expressão no Brasil Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social
 

Às vésperas das eleições para o Executivo e o Legislativo em todo o país, em momento de intensa discussão sobre as questões de comunicação e liberdade de expressão, o Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social apresenta para os candidatos e para o conjunto da sociedade uma análise do campo e uma série de questões a serem consideradas para que a liberdade de expressão e o direito humano à comunicação sejam garantidos a todos os brasileiros e brasileiras.

 

Baixe aqui o documento ou confira abaixo nossas contribuições.

 

Cenário das comunicações no Brasil

 

O Brasil tem um enorme déficit democrático neste setor. Hoje a realidade é de um sistema predominantemente comercial, concentrado e excludente, em que a maior parte da sociedade não participa e nem tem mecanismos para fazer circular seus pontos de vista. Para se ter uma ideia, a soma da participação das quatro primeiras emissoras de TV, todas elas de perfil privado-comercial, é de 83,3% no que se refere à audiência e 97,2% no que se refere à receita publicitária. Esses índices são alarmantes em qualquer mercado, e especialmente preocupantes em um setor cuja acessibilidade é essencial para o exercício da democracia. O sistema público de comunicação, que poderia ser um instrumento para mudar essa realidade, ainda é incipiente no país. Só em 2007 o Brasil se colocou o desafio de criar uma TV pública de abrangência nacional, e ela ainda tem um alcance restrito.

 

No campo do jornalismo impresso, há uma predominância significativa de veículos com posições políticas de direita e de centro, e são exceções raras, quase singulares, os veículos com posição progressista. Nesse cenário, a clara tomada de posição e partidarização dos veículos, que poderia ter caráter positivo em um cenário mais plural, desequilibra o debate público e afeta a democracia brasileira. Ressalte-se que a inexistência de pluralidade e diversidade neste setor não é fruto da 'vontade do leitor', mas da ausência de políticas públicas em um mercado que tem altíssimas barreiras de entrada e de permanência. Neste momento, o único espaço em que o debate se dá de forma mais plural é na internet, que tem tido papel significativo na ampliação do debate público, mas que enfrenta limites claros de acesso, como veremos mais adiante.

 

O conteúdo dos meios de comunicação também reflete esse quadro desequilibrado. A diversidade do Brasil não encontra espaço nos grandes meios. Ao contrário, há um tratamento estereotipado e discriminatório especialmente em relação a mulheres, negros e homossexuais, e as pessoas que se veem atingidas por essa programação não têm meios de se defender. Os movimentos sociais são ou invisibilizados ou criminalizados e perseguidos, enquanto os grandes grupos econômicos encontram amplo espaço para apresentar seus pontos de vista. A liberdade de expressão nos grandes veículos é realidade apenas para nove famílias; os outros 190 milhões não têm outra liberdade senão mudar de canal ou desligar a TV ou o rádio.

 

Déficit na regulamentação do setor

 

A legislação que trata sobre a rádio e televisão é ultrapassada e fragmentada – basicamente retalhos de leis da década de 1960, do tempo da TV em preto e branco. A Constituição Federal, que avançou na garantia de direitos ao povo brasileiro, incluiu um capítulo exclusivo sobre a Comunicação Social, mas, depois de 22 anos, ainda aguarda regulamentação de três do seus cinco artigos.

 

 O artigo 220 da CF determina a proibição direta e indireta a monopólios e oligopólios nos meios de comunicação social, mas as únicas regras que existem sobre isso são da década de 60 e tratam apenas de limites de propriedade (quantos canais podem estar na mão de uma mesma entidade), sem considerar fatores chave como audiência e investimento publicitário. É preciso impedir a concentração das emissoras em todo o setor produtivo da comunicação por meio da regulamentação de novos limites à propriedade, audiência e investimento publicitário, e da implementação de políticas públicas que favoreçam a pluralidade e diversidade de vozes na mídia brasileira.

 

 No mesmo artigo 220 está previsto que sejam criados meios legais para a população se defender de programação que atente contra os princípios constitucionais – outro ponto que segue sem qualquer regulamentação, impossibilitando o direito de a sociedade responder as arbitrariedades ou violações de direitos humanos praticadas pelas emissoras de rádio e TV.

 

 Para o artigo 221, que busca garantir espaço no rádio e na TV para programas produzidos regionalmente e para a produção independente, existe um projeto de lei com proposta de regulamentação desde 1991, mas ele está engavetado no Senado. É preciso criar percentuais mínimos destas programações como forma de garantir o respeito a constituição.

 

 Também a complementaridade entre os sistemas privado, público e estatal, prevista no artigo 223, nunca foi regulamentada, e precisaria virar realidade para que se possa equilibrar o poder das grandes redes privadas (que representam atualmente cerca de 90% das emissoras no país) e garantir espaço para constituição do sistema público e estatal.

 

 Para se pensar o conjunto da regulamentação do setor, deveríamos incluir, além disso, regras democráticas para as concessões de rádio e TV – que hoje são efetivamente capitanias hereditárias, por terem, na prática, renovação automática – e para as rádios comunitárias – que a lei atual confina à marginalidade. Seria necessário, ainda, promover a pluralidade e a diversidade nos meios de comunicação, garantir acesso às tecnologias de informação e comunicação e, mais do que tudo, garantir instrumentos de participação popular na definição das políticas e no acompanhamento do setor.

 

A realidade do acesso à banda larga

 

 Enquanto a radiodifusão e a imprensa seguem como espaços de difícil acesso às condições de produção, a internet é um espaço aberto e democrático, e tem contribuído para a efetivação do direito à comunicação. Contudo, o Brasil não trata do acesso à banda larga como um direito do cidadão. Esse acesso é hoje caro, ruim e limitado. Apenas 27% das residências no Brasil têm acesso à banda larga. Se tomarmos as classes D e E em conjunto, esse número cai para 3%.

 

 Também é relevante notar que 48% das pessoas que não têm internet em casa atribuem ao alto custo do serviço o principal motivo para isso. O valor médio pago pelos brasileiros para ter banda larga em casa corresponde a 4,58% da renda per capita no país. O valor é mais que o dobro do México e mais de 9 vezes o valor dos Estados Unidos. Assim, mesmo quem pode pagar compromete uma parte significativa de seu orçamento familiar com este investimento.

 

 Isso deve mudar com o Plano Nacional de Banda Larga, mas mesmo o plano – que é bom, ressalte-se, mas insuficiente – não fala em universalização, apenas em massificação. Para mudar esse quadro, é preciso garantir a universalização do acesso à internet em alta velocidade, com tarifas reguladas e garantia da qualidade do acesso. O serviço de banda larga deve ser prestado em regime público (conforme o artigo 18 da Lei Geral de Telecomunicações) garantindo participação de empresas públicas e privadas. Além disso, é necessário que a sociedade civil continue participando na implementação do PNBL, com a garantia de maior acesso e participação nas decisões sobre as políticas para banda larga.

 

A comparação com outros países

 

A regulação dos meios de comunicação existe em países como França, Reino Unido, Estados Unidos, Alemanha, Espanha, Portugal e, agora, de forma consistente, na Argentina. Em todos esses países há órgãos reguladores que incidem sobre questões de concentração de mercado e também sobre questões de conteúdo. Há regras que incentivam a pluralidade e a diversidade nos meios de comunicação, inclusive a pluralidade política, protegem o público infantil, e mecanismos para a população se defender de programação que atente contra a dignidade humana. No Brasil, nem um órgão regulador independente nós temos, já que a Anatel não é responsável pela regulação do setor de radiodifusão.

 

 Questões que aqui são consideradas tabu são tratadas na mais absoluta normalidade até em países com forte predomínio liberal, como os Estados Unidos. Apenas como exemplo, em 2004, o FCC, que é o órgão regulador nos EUA, queria diminuir os limites à concentração (que, mesmo com as mudanças, seriam ainda mais fortes que os do Brasil). Houve pressão popular contra a medida e, quando ela chegou ao Congresso, até os republicanos votaram contra. Isto é, medidas que por aqui são consideradas radicais, por lá são defendidas pelo partido de Sarah Palin.

 

 O processo da Argentina, que resultou na nova Lei de Comunicação Audiovisual, foi positivamente exemplar. Ele é fruto da combinação de setores sociais organizados com vontade política do governo. A lei aprovada cria condições para a ampliação do exercício da liberdade de expressão e está amparada em toda a legislação internacional de direitos humanos. Ali estão tratadas todas as questões importantes para a regulação do setor audiovisual. É fundamental, por exemplo, a reserva de um terço do espectro eletromagnético para meios de comunicação sob controle de entidades sem fins de lucro. Essa medida, tratada por aqui como se fosse um absurdo, é apoiada pelos relatores de liberdade de expressão da OEA e da ONU.

 

 Liberdade de expressão e controle social

 

Em meio a esse cenário, o discurso da liberdade de expressão tem sido usado como justificativa para calar setores inteiros da sociedade. Não se pode deixar, contudo, que os setores conservadores se apropriem e distorçam o sentido dessa bandeira. A defesa da liberdade de expressão deve ser uma bandeira dos setores progressistas, daqueles que nunca tiveram voz e sempre precisaram lutar contra as opressões. É preciso ainda uni-la à bandeira do direito à comunicação, que implica obrigações para o Estado em garantir a toda a população o direito a produzir, difundir e acessar informações, com a criação de mecanismos que enfrentem limites técnicos, políticos, econômicos e culturais que dificultem esse exercício.

 

 Além disso, se tomadas as principais lógicas que sustentam a liberdade de expressão, como a busca da verdade e o fortalecimento da democracia, este direito precisa vir acompanhado do direito à informação, que implica na garantia de que informações não sejam omitidas e que todas as diferentes perspectivas e visões sejam postas em cena. Sem isso, os objetivos intrínsecos à defesa da liberdade de expressão ficam tão prejudicados quanto no caso das ameaças diretas a essa liberdade.

 

 A liberdade de expressão, além do mais, não exime nenhum ator – público ou privado – da responsabilidade sobre o que é dito ou veiculado. Essa responsabilização ulterior é totalmente democrática, prevista no mesmo artigo da Convenção Americana de Direitos Humanos que trata da liberdade de expressão, e deve vigorar especialmente no caso da violação a outros direitos humanos e a outros princípios constitucionais. Não é por acaso que a própria Constituição Brasileira prevê, no mesmo artigo que trata da liberdade de expressão, a existência de mecanismos legais para que a população se defenda desse tipo de conteúdo. Não há, contudo, mecanismos implementados para este controle social.
 

 Ao afirmar a necessidade de mecanismos de controle social – necessidade nunca reconhecida nem implementada pelo atual governo –, o que queremos é justamente garantir que um serviço público, como é a radiodifusão, atenda ao interesse público. Na prática, isso significa garantir o controle do conjunto da sociedade, contra arbitrariedades do setor privado ou do governo, sobre três aspectos: a regulamentação e as políticas públicas para o setor, o serviço prestado e o conteúdo exibido.

 

 Exemplos concretos de mecanismos para isso seriam, no primeiro caso, a existência de conselhos e conferências que determinem diretrizes para as políticas públicas, como acontece na área da saúde. No segundo caso, garantir ao cidadão, usuário desse serviço público, a possibilidade de monitorar e lutar pela qualidade deste serviço. Para isso são necessários desde mecanismos mais simples, como a criação de ouvidorias que recebam denúncias (os cegos, por exemplo, até hoje não contam com o serviço de audiodescrição, previsto em lei, e não têm para quem reclamar), até outros mais complexos, como a abertura de espaços de consulta sobre o processo de renovação das concessões.

 

 No terceiro caso, para o controle social de conteúdo, é preciso garantir o cumprimento da Constituição, que prevê o direito de resposta proporcional ao agravo e a existência de meios legais para o cidadão se proteger de conteúdo que viole o disposto na própria carta magna. Hoje, por exemplo, se um meio de comunicação pratica violações de direitos humanos, a única opção de quem se sente atingido é acionar o Ministério Público Federal ou entrar diretamente com um processo, o que demanda tempo, dinheiro e conhecimento técnico. Não há uma via não judicial, rápida, que proteja o interesse do espectador. Mesmo entidades organizadas têm enorme dificuldade de se contrapor ao poder das emissoras, chegando a aguardar seis anos por um direito de resposta (como no caso da Ação Civil Pública apresentada pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades – CEERT – contra os frequentes ataques da Record às religiões de matriz africana). As emissoras, concessionárias de um serviço público, têm um poder absolutamente desigual em relação ao espectador, suposto beneficiário deste serviço.

 

 A experiência da Conferência Nacional de Comunicação

 

Foi para buscar soluções para essas questões que foi realizada, em 2009, a 1ª Conferência Nacional de Comunicação. Apesar de adotar algumas regras estranhas aos processos democráticos de conferências adotadas pelo Governo Federal, como privilégio claro ao setor empresarial, a Confecom teve 633 propostas aprovadas1 (sendo 569 delas por consenso ou com mais de 80% de votos favoráveis) que determinam uma agenda progressista para o setor da comunicação.

 

Com a realização de etapas locais nos 26 estados e no Distrito Federal, foram envolvidas diretamente cerca de 15 mil pessoas dos mais diversos segmentos sociais. Este processo é um passo fundamental para a criação de uma política pública de comunicação estabelecida a partir do diálogo e participação de milhões de brasileiros.

 

 Entre as propostas aprovadas, destacamos:

 

 ·         a afirmação da comunicação como direito humano, e o pleito para que esse direito seja incluído na Constituição Federal;

·         a criação de um Conselho Nacional de Comunicação que possa ter caráter de formulação e monitoramento de políticas públicas;

·         o combate à concentração no setor, com a determinação de limites à propriedade horizontal, vertical e cruzada;

·         a garantia de espaço para produção regional e independente;

·         a regulamentação dos sistemas público, privado e estatal de comunicação, que são citados na Constituição Federal mas carecem de definição legal, com reserva de espaço no espectro para cada um destes;

·         o estímulo à criação de redes locais e regionais de rádios públicas, estatais e comunitárias.;

·         o fortalecimento do financiamento do sistema público de comunicação e das emissoras comunitárias, inclusive por meio de cobrança de contribuição sobre o faturamento comercial das emissoras privadas;

·         a descriminalização da radiodifusão comunitária e a aprovação de mudanças em sua regulamentação, com a abertura de espaço significativo no dial ao serviço, hoje confinado a uma frequência por localidade;

·         a definição de regras mais democráticas e transparentes para concessões e renovações de outorgas, visando à ampliação da pluralidade e diversidade de conteúdo;

·         a definição do acesso à internet banda larga como direito fundamental e o estabelecimento desse serviço em regime público, que garantiria sua universalização, continuidade e controle de tarifas;

·         a implementação de instrumentos para avaliar e combater violações de direitos humanos nas comunicações;

·         o combate à discriminação de gênero, orientação sexual, etnia, raça, geração e de credo religioso nos meios de comunicação;

·         a garantia da laicidade na exploração dos serviços de radiodifusão;

·         a proibição de outorgas para políticos em exercício de mandato eletivo.

 No próximo período, é necessário que o poder público, em articulação com a sociedade civil, consiga transformar as resoluções da Conferência em um conjunto de leis e políticas públicas, garantindo a participação social no processo de elaboração e implementação dessas ações. Se o objetivo é, de fato, garantir a ampla e verdadeira liberdade de expressão e o direito à comunicação dos brasileiros, este deve ser o principal compromisso dos candidatos/as que forem eleitos ao Legislativo e ao Executivo.

 

1Veja o relatório oficial completo em  http://www.secom.gov.br/sobre-a-secom/publicacoes/confecom .

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Plataforma da comunicação democrática .

Debate com candidatos de diversos partidos ao Senado, Câmara dos Deputados e Assembléia Legislativa sobre propostas para a democratização a comunicação -13 de setembro, segunda, 19h. Local: CREA- RJ (Rua Buenos Aires, nº40/5ºandar, Centro – Rio de Janeiro).

O Movimento Rio Pró-Conferência de Comunicação lança a Plataforma por uma Comunicação Democrática do Rio de Janeiro no dia 13 de setembro, segunda-feira, às 19h, no auditório do CREA-RJ, localizado na rua Buenos Aires, nº40/5ºandar, Centro, Rio de Janeiro – RJ. A Plataforma tem como bases as resoluções da I Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), bem como das Conferências preparatórias realizadas no Estado do Rio de Janeiro.

Após a apresentação das propostas, os candidatos vão se posicionar sobre elas e responder a perguntas dos participantes do plenário através de sorteio. Até o dia 6 de setembro se inscreveram candidatos do PT, PSol, PSTU, PDT e PV.

 

            Confecom - A etapa nacional da Confecom foi realizada em dezembro, em Brasília. Os movimentos envolvidos na causa esperam que o caderno de resoluções da 1ª Conferência Nacional de Comunicação com mais de 600 propostas se torne um documento central para as organizações e movimentos sociais que lutam pela efetivação do direito à comunicação no país. Nele, existem propostas que há muito tempo são defendidas por estas organizações que tratam da produção de conteúdo, meios de distribuição e direitos e deveres e finalidades educativas e culturais da programação, para o setor.

             

Os exemplos mais lembrados são: a constituição de Conselhos de Comunicação com poderes deliberativos; a transformação da banda larga em um serviço em regime público; proibição da publicidade direcionada às crianças; regulamentação da publicidade de bebidas alcoólicas; apoio às rádios comunitárias; a defesa dos direitos humanos; o fim dos pacotes fechados na TV por assinatura, a regionalização e presença da produção independente no rádio e na TV e o restabelecimento da exigência do diploma para os jornalistas, entre outros.

 

A grande maioria das propostas aprovadas demandam iniciativas legislativas nas esferas estadual e nacional para serem implementadas, daí a importância de um posicionamento claro dos partidos e seus candidatos a cargos parlamentares.  O debate é aberto a todos.

 

Ouça o nosso convite :  Reproduzir em MP3    


Informações a adesões: riodemocraciacomunicacao@gmail.com